Igreja em crise e o retorno aos fundamentos

Igreja em crise e o retorno aos fundamentos

Nos últimos 10 anos, tenho estado envolvido com a formação e treinamento de pastores. Ao longo desses anos, um assunto tem sido recorrente nas conversas com meus colegas: temos uma igreja em crise. Algumas vezes tenho a sensação de que o problema é nossa expectativa. Quando esperamos o céu na terra, as antecipações que experimentamos aqui não nos são suficientes. Mas outras vezes tenho a sensação de que, de fato, temos um problema real. Guerras constantes em torno de questões litúrgicas, pessoas fugindo de postos de serviço como o Diabo foge da cruz, juventude apática, ausência de crianças, esvaziamento de reuniões e outras coisas semelhantes a essas não podem ser normais.

Em momentos de crise, multiplicam-se propostas de solução. E, conversando com esses mesmos colegas, tenho tido contato com muitas. Há, contudo, algo que sempre me incomodou em boa parte delas: elas costumam apresentar uma longa lista de coisas para fazer sem oferecer uma discussão aprofundada a respeito do porquê deveríamos fazer as coisas. E me parece que a chave para a solução de muitos de nossos problemas está exatamente aí: na dimensão dos fundamentos. Claro; limitar-nos aos porquês também é um problema; e, fugindo de um, não podemos cair no outro. Fomos chamados para fazer coisas e não apenas para entender coisas. Mas o fato é que aquilo que fazemos está diretamente relacionada a como compreendemos as coisas, de modo que problemas litúrgicos não podem ser resolvidos a menos que tenhamos um claro entendimento a respeito do que é o culto e a adoração pública, assim como questões relacionadas à educação eclesiástica não podem ser resolvidas sem uma clara compreensão do que é educação cristã.

Por essa razão tenho uma suspeita: INTENCIONALIDADE deve estar entre as virtudes-chave para os líderes eclesiásticos de nossos dias, e “POR QUÊ?” deve estar entre as suas perguntas principais. Porque fazemos desta ou daquela maneira? Porque passaremos a fazer de maneira diferente? Agora pela manhã, lendo um artigo do Dr. Charles Melchert, me deparei com uma citação, que parece mostrar que não estou viajando; ou, se estou, pelo menos não estou sozinho. Ela diz o seguinte: “se não temos clareza sobre o que é ou o que estamos buscando no processo, o melhor que podemos esperar é chegar ao nosso objetivo meio que por acaso. Eu sugiro que tanto o nosso povo quanto o nosso Deus têm o direito de esperar mais de nós do que isso”.

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